Cineclube ECCOS em Movimento de Agosto/19

Veja como foi o nosso último cine-debate no MIS, com o filme Menino 23 sob a temática do Racismo institucional brasileiro.

Neste segundo semestre o cineclube ECCOS em Movimento acontece sempre no primeiro sábado de cada mês, às 16h. A curadoria de filmes é feita pelos nossos associados Alzira e Rodrigo.

Participe você também deste importante encontro cultural!

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A culpa é do Bolsonaro

Esta é uma nota pública e transparente, emitida pela Coordenação da ECCOS, com o objetivo de fazer uma auto-análise da situação atual da ECCOS e do cenário no qual estamos inseridos.

culpabolsonaro

Tem gente que acha que as coisas acontecem por acaso ou por meritocracia, que dependem só de si mesmos, nós sabemos que não é assim que funciona.
Com essa nota a ECCOS busca explicar o que nós estamos sofendo em consequência da guinada à direita, extrema e fascista, em nosso país.

A culpa é do Bolsonaro, mas primeiramente do Temer com o golpe das elites, e ainda antes disso de todos nós mesmo enquanto uma sociedade individualista, despolitizada e desorganizada.

Era 2013, a ECCOS estava bem, organizando-se e exercendo um importante trabalho de base, com foco em empoderamento periférico, conscientização político-social e promoção da cultura popular, atuando na periferia de Campinas (Jardim Santo Antônio, Vila Brandina, Joana D’Arc, Campo Belo, Jardim Bassoli) e também com jovens pelas cidades de Campinas, Ribeirão Preto e até São Paulo por meio de nossos associados fundadores e parceiros… isso era em 2013 quando houve o estranho levante da classe média às ruas, teoricamente por mais justiça social e contra corrupção e etc… Fomos pras ruas também ver de perto o que estava acontecendo e fomos alguns dos primeiros a constatar que aquilo não era algo popular, que não era o que dizia ser, que era proveniente dos setores militar e empresarial, que era ruim para todos nós. Tentamos avisar, alertar, gritamos… ninguém quis ouvir muito de nós.

Seguimos em frente, passamos anos difíceis batendo de frente com o individualismo crescente promovido pelas igrejas neo-pentecostais nas periferias e pelo consumismo inconsequente promovido pelo governo à uma dita nova classe média, totalmente despolitizada. Uma bomba relógio que vimos crescer ano à ano. Era 2014/2015 quando nos vimos minguados em condições financeiras e recursos humanos, ninguém estava nem aí para o trabalho de base, para cuidar do próximo, era uma enorme crise moral e social por todo o mundo que nos atingia aqui também. Reduzimos nossa atuação conforme a necessidade, mas não paramos, com muito trabalho e perseverança tínhamos criado uma biblioteca popular, lutávamos com um plebiscito pela reforma política, nos lançávamos pela internet com artigos e crônicas, tentando mobilizar e alertar para a perseguição estratégica que a mídia e a “justiça” estavam fazendo conosco. Sim, o alvo era o golpe e o Lula, mas indiretamente nos atingiam também na medida em que as pessoas estavam sendo manipuladas para nos dar as costas.

Era começo de 2016, quando realizamos um debate aberto na câmara municipal de Campinas acerca do eminente golpe que estava se consolidando, chamamos mulheres para protagonizar o evento (lutadoras sociais) e para tentar alertar também para o grande componente machista que estava sendo impulsionado naquele momento, falamos que o crescimento de alguém fascista como Bolsonaro (à época com 5% de intenções de voto) era nossa responsabilidade e devíamos todos agir com urgência nas periferias para frear tal avanço. Praticamente ditamos tudo que iria acontecer com os trabalhadores se o golpe passasse. Saímos às ruas sozinhos para distribuir jornais do nosso projeto A Questão tentando conversar com a população sobre o perigo de nossa situação e soltamos uma nota pública assinada por vários ativistas, cidadãos conscientes, movimentos e associações de bairro para mais uma vez alertar contra o que estava por vir e convocar às pessoas à ação, de preferência no trabalho de base.

Era 2017, pós golpe jurídico-parlamentar-militar, Temer estava no poder com sua “ponte para o futuro” e a ECCOS mantinha seu trabalho de base, mas já em menor escala e já sem amparo financeiro e quase sem voluntários. Sofríamos as consequências diretas do trabalho das igrejas evangélicas neo-pentecostais nas periferias e do ódio promovido aos ativistas e lutadores sociais pela grande mídia, pelos grupelhos juvenis na internet financiados pela direita empresarial e pelo crescente fascismo político. Ainda teve a absurda reforma trabalhista retirando direitos e deixando nossos trabalhadores à deriva do empresariado voraz.

Como uma organização pequena, ainda que muito valente, poderia continuar atuando dessa forma?

Era 2018, nós estávamos quase sem perspectivas, mas continuávamos caminhando em frente. À essa altura nossos projetos estavam bem reduzidos, mas seguimos com o que dava. Fizemos um podcast no Whatsapp, vídeos e fomos pra batalha contra o fascismo nas redes sociais, enfrentamos como pudemos (ao nosso alcance) a estratégia militar através dos caminhoneiros, realizamos duas Aldeias Culturais na periferia, atuamos bastante na internet e, claro, fomos pra rua tentar enfrentar a moral fascista em plena ascenção eleitoral. Ainda elaboramos mais uma edição do nosso jornal A Questão, tratando diretamente do Bolsonaro, distribuímos, discutimos, agimos como pudemos, não ficamos parados…

Era início de 2019, descobrimos que além de todas as dificuldades, o governo Temer, antes de sair e deixar o país sem futuro, nos deixou também um presentinho final… Ordenou que fossem cobradas de todas as ONGs e Associações organizadas certas declarações junto à receita federal e de forma retroativa ainda (declarações estas que nunca nos foram exigidas antes). Nos vimos então em face de mais uma encruzilhada destes tempos, nosso CNPJ estava inativo junto à receita federal e do nada nos apareceu uma dívida que poderia chegar à cerca de 50 mil reais. Sabíamos o propósito disso, nada é por acaso.

Nos reorganizamos e conseguimos diminuir a dívida para cerca de 2500 reais, o que ainda assim é muito para nós que não temos recursos.
Durante este tempo todo, sabíamos que estávamos fazendo muito com muito pouco recurso, e que muitas outras organizações progressistas, mais capacitadas e poderosas, estavam estagnadas e inertes, isso não servia para nos deixar orgulhosos como alguém poderia pensar… pelo contrário, estivemos sempre muito preocupados com tudo isso e tentamos sempre mobilizar e unir tais organizações. Temos nossa voz, nossos caminhos, mas nunca achamos que éramos os donos da razão e portanto respeitamos os caminhos dos outros, mas sabíamos que sem unidade mínima não chegaríamos a lugar algum. Temos claro também que as infindáveis discussões internas serviam apenas para nada fazer. Estivemos na periferia desde o início de nossa organização e vimos muito poucos grupos fazerem o mesmo, nem de longe éramos o suficiente.
Estudantes, que obviamente tem mais tempo e disposição para agir, fizeram muito pouco ou apenas reagiram.
Sindicatos, que sofreram consequencias diretas de todo esse golpe, também pouco fizeram.
Partidos de centro-esquerda, muitos perdidos no furacão, fecharam-se em debates internos e há tempos estão acorrentados à militantes egocentristas e ao difícil jogo político local, estadual e nacional.
As estruturas progressistas deste país foram e continuam sendo desarticuladas e atacadas diretamente pelos governos pós-golpe. Bolsonaro piorou tudo isso.

É 2019, Bolsonaro extinguiu conselhos federais, condicionou governos estaduais à privatizarem e entregarem tudo que puderem para multinacionais, está vendendo o país derrubando qualquer organização popular que se coloque no caminho, um trator fascista recheado de ódio e mentira.
Bolsonaro e sua equipe militar estão tomando conta dos epaços diretivos políticos e acadêmicos, estão censurando reuniões de movimentos sociais. Bolsonaristas (fascistas) estão perseguindo, violentando e matando ativistas, militantes, mulheres, travestis, homosexuais e até vereadores.

Hoje, a ECCOS continua fazendo seu trabalho de base na periferia conforme o possível, continua tentando unir setores progressistas, continua tentando agir pro-ativamente ao invés de só reagir às tiranias de um governo fascista, mas também continuamos sem recursos financeiros e humanos, estamos sendo sufocados e estamos cansados…
Não sabemos como será daqui em diante, mas sabemos que desistir não é uma opção e que não podemos nos cansar, porque não temos nem esse direito. Ainda que nos reste apenas um ou dois voluntários e ativistas sociais, estaremos lutando.

A culpa é do Bolsonaro, não especificamente a pessoa, mas o que ela representa. Bolsonaro para nós não é apenas o fantoche, mas é também o setor militar organizado politicamente à extrema direita, é também o setor empresarial organizado em torno de sua ambição egoísta sem fim em detrimento de uma população, é o setor evangélico neo-pentecostal que promove indivdualismo e o ódio ao “inimigo” como trabalho de base há muito tempo, é o setor jurídico elitista que tem lado bem definido na balança da justiça social, é o golpe do Temer e da velha guarda política financiada pelas multinacionais e o interesse norte-americano em nosso petróleo e demais recursos naturais, é o interesse da manipulação midiática com mentiras absurdas antes na TV e mais recentemente nas redes sociais, é a própria grande mídia e seus interesses obscuros e financeiros… e como se não bastasse nesse pacote tem também toda a nossa desorganização, despolitização e a falta de trabalho de base sério e estratégico por parte dos diversos setores progressistas, com raras exceções.

É importante, para todos nós, entendermos bem o que está se passando desde 2013 pelo menos e como isso tudo tem nos afetado, para seguir em frente de alguma forma, sem esquecer do passado.

Sendo assim… A culpa é do Bolsonaro… do nosso Bolsonaro… entenda como quiser.

Se você, como nós, treme de indignação diante de tantas injustiças e perseguições, junte-se a nós, mas de verdade, com disposição para fazer o que acreditarmos que precisa ser feito, não apenas o que quiser fazer.
Sem mais paciência para demagogias, porque nada é por acaso, abraços da equipe de coordenação da ECCOS.

Lucas Pontes, Alzira, Anderson, Joyce, Renan, Fábio, Mila, Orestes, Alex e Paulo.

Ata da Assembléia Geral Ordinária 2019

Ata de Assembleia Geral Ordinária da Associação de Educação, Cultura, Cidadania, Oportunidades e Solidariedade.

21/07/2019

A Associação de Educação, Cultura, Cidadania, Oportunidades e Solidariedade – ECCOS, realizou no dia 21/07/2019, às 15h30, em segunda e última convocação, a Assembleia geral ordinária com seus associados presentes, a mesma ocorreu em espaço reservado na sede da Associação de Proprietários e Moradores do Jardim Santo Antônio, localizada na Rua Marambaia, nº 250, Campinas, SP.

Estiveram presentes nesta Assembleia os associados Renan Pedroso Pontes, Lucas Abeid Pontes, Joyce Maria Abeid Pontes, Anderson Rodrigues Lima, Alzira Pereira de Oliveira, Manoel Pereira do Nascimento e convidados.

O coordenador geral da ECCOS, Lucas Abeid Pontes, presidiu a Assembleia que teve como secretário o atual tesoureiro da ECCOS, Anderson Rodrigues Lima.

A assembleia iniciou-se com informes gerais sobre o andamento da associação e a participação dos associados.

Após os informes foi realizada análise sobre os projetos em execução pela ECCOS no momento, em seguida relatou-se sobre a situação contábil e financeira da Associação ECCOS com a devida explanação acerca dos últimos recursos utilizados tanto em projetos quanto em despesas contábeis.

Relatou-se sobre a regularização do CNPJ da Associação, que se encontra ativo junto à receita federal, e a documentação cartoral, que se encontra em ordem.

Explanou-se que a ECCOS se encontra no momento sem recursos financeiros recorrentes e que os recursos provenientes de rifas e ações de captação por meio de doações online foram direcionados diretamente para estruturação do projeto que viabilizou uma biblioteca popular no Jardim Santo Antônio. Outros recursos de rifas foram direcionados diretamente para o pagamento de declarações DCTF para a receita federal, bem como demais recursos de doações voluntárias.

Ainda acerca da situação financeira da ECCOS, prospectou-se a necessidade de novas doações voluntárias para pagamento de declarações GFIPS também à receita federal.

Finalizadas as explanações e análises gerais, constatou-se também que a ECCOS se encontra com dificuldades operacionais por falta de recursos humanos e voluntários. Para fins de esclarecimento aos associados da ECCOS em geral foi deliberada a elaboração de uma nota pública a ser publicada no site e redes socais da associação explicando os motivos que levam a ECCOS a estar em tais dificuldades financeiras e operacionais.

Foi então deliberado o planejamento financeiro para o segundo semestre de 2019 até o primeiro semestre de 2020, como foco em doações vluntárias de pessoas físicas e associados, bem como o planejamento operacional e definições de cronograma de atuação quanto aos projetos ativos, com esclarecimentos sobre a participação da ECCOS nas comunidades do Jardim Santo Antônio e do Jardim Columbia, além da projeção de mais um debate aberto com entidades parceiras para segundo semestre de 2019. Também se falou sobre o andamento e curadoria do cineclube ECCOS em Movimento no MIS-Campinas, as possibilidades da nova edição dos projetos A Questão e Aldeia Cultural, que serão elaborados de forma reduzida, por custos menores.

Por fim, relatou-se sobre o andamento do projeto de candidatura coletiva e popular proposto pela ECCOS às entidades parceiras e outros representantes sociais no início do ano corrente para as eleições de 2020.

 

Nada mais havendo a ser tratado, encerrou-se a reunião da Assembleia geral ordinária, lavrando-se a presente ata.

 

Campinas, 21 de Julho de 2019.

 

Lucas Abeid Pontes

RG.: 33.820.202-X

 

Anderson Rodrigues Lima

RG.: 38.768.265-X

 

Ofício expedido pela Associação de Educação, Cultura, Cidadania, Oportunidades e Solidariedade.

 

>> Ata da Assembleia Geral Ordinaria 2019 em PDF

Edital de convocação para Assembléia Geral Ordinária da Associação ECCOS

cropped-headereccos201841.pngEdital de Convocação – Assembléia Geral Ordinária da Associação de
Educação, Cultura, Cidadania, Oportunidades e Solidariedade.
27/06/2019

A Associação de Educação, Cultura, Cidadania, Oportunidades e Solidariedade –
ECCOS, de acordo com os artigos 14°, 15° e 17° de seu Estatuto, convoca os
Associados da ECCOS, para a Assembléia Geral Ordinária, que ocorrerá no dia
21/07/2019, às 15h, em primeira convocação, com a presença de 1/3 dos associados,
ou às 15h30, em segunda e última convocação com qualquer número de presentes,
sem possibilidade de ser prorrogada, a realizar-se em sala reservada na sede da

Associação de Proprietários e Moradores do Jardim Santo Antônio, localizada na Rua
Marambaia, 250, no bairro Jardim Santo Antônio, Campinas, SP, para debater e
deliberar sobre os seguintes assuntos:

1° – Informes gerais;
2° – Análise de projetos atuais da associação;
3° – Explanação sobre a situação contábil e financeira;
4° – Planejamento financeiro;
5º – Planejamento geral para o período entre Agosto de 2019 e Julho de 2020.
Campinas, 27 de Junho de 2019.

Lucas Abeid Pontes
Coordenador Geral da ECCOS

 

Ofício publicado pela Associação de Educação, Cultura, Cidadania, Oportunidades e Solidariedade.

Acesse aqui o Edital de convocação 2019, em formato PDF.